O que são palpitações?

Palpitações são a sensação incômoda dos batimentos do próprio coração. Normalmente, não percebemos nosso coração batendo, mas durante palpitações, ficamos conscientes dele de forma desagradável.

As pessoas descrevem palpitações de várias formas:

  • “Coração acelerado”
  • “Batidas fortes demais”
  • “Coração pulando batidas”
  • “Falhas ou pausas”
  • “Coração batendo no pescoço ou garganta”
  • “Sensação de vibração no peito”
  • “Coração dando cambalhotas”

Embora assustadoras, a maioria das palpitações é benigna. Entretanto, algumas podem indicar problemas cardíacos que requerem tratamento.

Por que as palpitações pioram à noite?

Muitas pessoas notam que as palpitações são mais intensas ou frequentes ao deitar para dormir. Existem várias razões para isso:

1. Ambiente silencioso e calmo

Durante o dia, estamos ocupados e distraídos por atividades, conversas, trabalho e barulhos ambientais. À noite, no silêncio do quarto, ficamos mais atentos às sensações corporais, incluindo os batimentos cardíacos.

2. Posição deitada

Ao deitar, especialmente do lado esquerdo, o coração fica mais próximo da parede torácica, tornando os batimentos mais perceptíveis. A posição horizontal também pode alterar ligeiramente a dinâmica cardiovascular.

3. Ativação do sistema nervoso parassimpático

À noite, o corpo se prepara para dormir ativando o sistema nervoso parassimpático (relaxamento). Essa transição pode desencadear arritmias, especialmente em pessoas predispostas.

4. Digestão

Refeições pesadas ou tardias podem causar palpitações devido:

  • Desvio de sangue para o sistema digestivo
  • Estimulação do nervo vago (que conecta coração e estômago)
  • Refluxo gastroesofágico (pode irritar o coração)
  • Distensão gástrica pressionando o diafragma

5. Ansiedade noturna

Muitas pessoas ficam ansiosas à noite, preocupando-se com problemas do dia ou do dia seguinte. A ansiedade libera adrenalina, que acelera o coração e causa palpitações.

6. Apneia do sono

Pausas respiratórias durante o sono reduzem o oxigênio e podem desencadear arritmias, especialmente fibrilação atrial.

7. Uso de substâncias

Cafeína, álcool ou medicamentos estimulantes consumidos mais cedo ainda podem estar no organismo à noite.

Causas benignas de palpitações

A maioria das palpitações não indica doença cardíaca grave:

Extrassístoles

São batimentos extras que ocorrem fora do ritmo normal:

Extrassístoles supraventriculares (ou atriais):

  • Origem nos átrios
  • Geralmente benignas
  • Muito comuns
  • Sensação de “pulou uma batida”

Extrassístoles ventriculares:

  • Origem nos ventrículos
  • Também geralmente benignas em corações estruturalmente normais
  • Sensação de batida forte seguida de pausa

Características:

  • Extremamente comuns (todos temos ocasionalmente)
  • Podem aumentar com estresse, cafeína, cansaço
  • Não causam problemas em corações saudáveis
  • Tratamento geralmente não necessário

Taquicardia sinusal

Aceleração normal do coração em resposta a estímulos:

  • Ansiedade ou estresse
  • Exercício físico recente
  • Febre
  • Desidratação
  • Anemia
  • Hipertireoidismo

O coração está respondendo adequadamente, mas você está consciente dos batimentos rápidos.

Causas não cardíacas

Ansiedade e síndrome do pânico:

  • Causa muito comum
  • Palpitações acompanhadas de:
    • Falta de ar
    • Sudorese
    • Tremores
    • Sensação de morte iminente
    • Formigamento

Refluxo gastroesofágico:

  • Ácido do estômago irrita esôfago
  • Pode estimular nervos que afetam ritmo cardíaco
  • Piora ao deitar após comer

Distúrbios do sono:

  • Insônia
  • Pesadelos
  • Apneia do sono

Medicamentos e substâncias:

  • Cafeína (café, chá, energéticos, refrigerantes)
  • Nicotina
  • Álcool
  • Descongestionantes nasais
  • Broncodilatadores (bombinhas para asma)
  • Alguns antidepressivos
  • Hormônios tireoidianos
  • Suplementos (especialmente pré-treinos)

Alterações hormonais:

  • Menstruação
  • Gravidez
  • Menopausa
  • Hipertireoidismo

Febre e infecções:

  • Qualquer infecção pode acelerar o coração

Anemia:

  • Redução de hemoglobina
  • Coração acelera para compensar

Desidratação:

  • Redução de volume sanguíneo
  • Desequilíbrio eletrolítico

Causas cardíacas que requerem atenção

Algumas arritmias são mais preocupantes e necessitam avaliação:

Fibrilação atrial (FA)

Arritmia mais comum que requer tratamento:

O que é:

  • Átrios “tremem” em vez de contrair adequadamente
  • Batimentos irregulares e geralmente rápidos

Sintomas:

  • Palpitações irregulares
  • Falta de ar
  • Cansaço
  • Tontura
  • Pode ser assintomática

Por que é preocupante:

  • Aumenta risco de AVC em 5 vezes (coágulos se formam nos átrios)
  • Pode causar insuficiência cardíaca
  • Reduz qualidade de vida

Fatores de risco:

  • Idade avançada
  • Hipertensão
  • Doença valvar cardíaca
  • Insuficiência cardíaca
  • Doença arterial coronariana
  • Hipertireoidismo
  • Apneia do sono
  • Obesidade
  • Consumo excessivo de álcool

Tratamento:

  • Medicamentos para controlar frequência
  • Medicamentos antiarrítmicos
  • Anticoagulantes (prevenir AVC)
  • Cardioversão elétrica
  • Ablação por cateter

Taquicardia supraventricular paroxística (TSVP)

O que é:

  • Episódios súbitos de batimentos muito rápidos (150-250 bpm)
  • Início e fim abruptos
  • Origem acima dos ventrículos

Sintomas:

  • Palpitações súbitas e intensas
  • Tontura
  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Ansiedade extrema

Tratamento:

  • Manobras vagais (podem interromper crise)
  • Medicamentos intravenosos na emergência
  • Medicamentos preventivos
  • Ablação por cateter (cura definitiva na maioria dos casos)

Taquicardia ventricular (TV)

O que é:

  • Ritmo rápido originado nos ventrículos
  • Potencialmente grave

Sintomas:

  • Palpitações intensas
  • Tontura ou desmaio
  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Pode levar à parada cardíaca

Quando suspeitar:

  • Histórico de infarto
  • Doença cardíaca estrutural
  • Cardiomiopatia
  • Desmaio durante palpitações

Tratamento:

  • Emergência se sustentada
  • Medicamentos antiarrítmicos
  • Cardioversor-desfibrilador implantável (CDI)
  • Ablação por cateter

Bradicardia sintomática

Batimentos muito lentos (abaixo de 50-60 bpm):

Causas:

  • Bloqueios cardíacos
  • Disfunção do nó sinusal
  • Medicamentos (betabloqueadores, certos antiarrítmicos)

Quando preocupante:

  • Se causa tonturas, desmaios, fadiga extrema
  • Pausas prolongadas entre batimentos

Tratamento:

  • Ajuste de medicamentos
  • Marca-passo se sintomático e grave

Quando procurar atendimento médico

Procure emergência imediatamente se palpitações vêm com:

  • Dor ou desconforto no peito
  • Falta de ar intensa
  • Desmaio ou perda de consciência
  • Tontura grave
  • Sudorese fria
  • Confusão mental
  • Fraqueza súbita
  • Palpitações muito rápidas (mais de 150 bpm) que não melhoram

Agende consulta se:

  • Palpitações frequentes ou prolongadas
  • Palpitações novas ou diferentes do padrão habitual
  • Histórico de doença cardíaca
  • Fatores de risco cardiovascular
  • Palpitações interferem com qualidade de vida ou sono
  • Ansiedade significativa sobre as palpitações

Diagnóstico: como investigar palpitações

O cardiologista usa várias ferramentas:

1. História clínica detalhada

Perguntas importantes:

  • Quando começaram?
  • Frequência e duração?
  • Como são (rápidas, lentas, irregulares)?
  • Fatores desencadeantes?
  • Sintomas associados?
  • Medicamentos e substâncias?
  • Histórico familiar?

2. Exame físico

  • Ausculta cardíaca
  • Medição de pressão e pulso
  • Avaliação de tireoide
  • Sinais de anemia ou outras condições

3. Eletrocardiograma (ECG)

  • Registra ritmo durante alguns segundos
  • Pode captar arritmia se estiver ocorrendo no momento
  • Identifica alterações estruturais

4. Holter 24 ou 48 horas

Exame fundamental para palpitações:

  • Monitor portátil registra todos os batimentos
  • Você anota quando sente palpitações
  • Correlaciona sintomas com arritmias
  • Identifica frequência e tipo de arritmias

5. Monitor de eventos

  • Para palpitações menos frequentes
  • Você ativa quando sente sintomas
  • Registra por 30 dias ou mais

6. Ecocardiograma

  • Avalia estrutura e função cardíaca
  • Detecta problemas valvares
  • Identifica cardiomiopatias

7. Teste ergométrico

  • Avalia arritmias induzidas por esforço
  • Importante se palpitações ocorrem com exercício

8. Estudo eletrofisiológico

  • Exame invasivo
  • Reservado para casos específicos
  • Pode ser terapêutico (ablação)

9. Exames laboratoriais

  • Função tireoidiana
  • Eletrólitos (potássio, magnésio, cálcio)
  • Hemograma (anemia)
  • Glicemia
  • Função renal

Tratamento das palpitações

O tratamento depende da causa:

Para palpitações benignas:

Tranquilização:

  • Saber que são benignas reduz ansiedade
  • Ansiedade pode perpetuar palpitações

Modificações no estilo de vida:

  • Reduzir/eliminar cafeína
  • Moderar álcool
  • Parar de fumar
  • Gerenciar estresse
  • Dormir adequadamente
  • Hidratação adequada

Tratamento de causas subjacentes:

  • Ansiedade (terapia, medicamentos se necessário)
  • Refluxo (antiácidos, elevação de cabeceira)
  • Apneia do sono (CPAP)
  • Anemia (suplementação de ferro)
  • Hipertireoidismo (tratamento)

Raramente medicamentos:

  • Betabloqueadores em casos selecionados
  • Se palpitações muito sintomáticas e frequentes

Para arritmias significativas:

Fibrilação atrial:

  • Controle de frequência (betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio)
  • Controle de ritmo (antiarrítmicos)
  • Anticoagulação (prevenir AVC)
  • Ablação por cateter

Taquicardias supraventriculares:

  • Ablação por cateter (cura na maioria)
  • Medicamentos se ablação não é opção

Arritmias ventriculares:

  • Tratamento da causa base
  • Medicamentos antiarrítmicos
  • CDI se alto risco
  • Ablação quando indicado

Bradicardia sintomática:

  • Marca-passo

Dicas para lidar com palpitações noturnas

Se palpitações atrapalham seu sono:

Antes de dormir:

  • Evite cafeína após 14h
  • Jantar leve, 2-3 horas antes de deitar
  • Evite álcool à noite
  • Técnicas de relaxamento (meditação, respiração)
  • Evite exercícios intensos perto da hora de dormir

Posição para dormir:

  • Se palpitações pioram do lado esquerdo, durma do direito
  • Eleve cabeceira se tem refluxo

Durante a palpitação:

  • Mantenha-se calmo (ansiedade piora)
  • Respiração lenta e profunda
  • Manobras vagais podem ajudar:
    • Água gelada no rosto
    • Tosse forçada
    • Manobra de Valsalva (fazer força como no banheiro)

Ambiente do quarto:

  • Temperatura confortável
  • Escuro e silencioso
  • Colchão confortável

Higiene do sono:

  • Horário regular para dormir e acordar
  • Evite telas 1 hora antes
  • Quarto apenas para dormir

Quando palpitações são emergência

Chame 192 ou vá à emergência se:

  • Desmaio ou quase-desmaio
  • Dor no peito
  • Falta de ar grave
  • Frequência muito alta (acima de 150) que não diminui
  • Primeiro episódio de palpitações sustentadas
  • Histórico de doença cardíaca grave

Palpitações na Cardio Master

Na Cardio Master, oferecemos investigação completa de palpitações:

Avaliação cardiológica:

  • Consulta detalhada
  • ECG imediato
  • Estratificação de risco

Exames diagnósticos:

  • Holter 24 horas
  • Ecocardiograma
  • Teste ergométrico
  • Exames laboratoriais

Tratamento personalizado:

  • Tranquilização quando benigno
  • Tratamento de arritmias significativas
  • Orientações de estilo de vida
  • Medicamentos quando necessário

Acompanhamento:

  • Reavaliações regulares
  • Ajuste de tratamento
  • Suporte contínuo

Se você tem palpitações noturnas que atrapalham seu sono ou causam preocupação, não sofra em silêncio. Agende uma avaliação para identificar a causa e receber tratamento adequado.

Lembre-se: a maioria das palpitações é benigna, mas sempre merece investigação para descartar problemas graves e proporcionar tranquilidade!