Muitos pais acreditam que cuidados cardiológicos são exclusivos de adultos. Afinal, crianças são jovens e saudáveis, certo? Nem sempre. As cardiopatias congênitas, anomalias presentes desde o nascimento, afetam cerca de 8 em cada 1000 bebês nascidos. Isso significa que milhares de crianças brasileiras nascem a cada ano com alguma alteração no coração.

O que faz o cardiologista infantil?

O cardiopediatra é o médico especializado no diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças cardíacas em bebês, crianças e adolescentes. Seu trabalho vai muito além do atendimento a crianças já diagnosticadas com problemas cardíacos.

Este especialista avalia se o coração está se desenvolvendo corretamente ao longo da infância, identifica precocemente alterações que podem passar despercebidas e orienta famílias sobre prevenção de doenças cardiovasculares desde cedo.

Quando procurar um cardiopediatra?

A primeira consulta com cardiopediatra é recomendada quando a criança completa um ano de idade, especialmente em casos específicos como bebês prematuros, histórico familiar de doenças cardíacas, ou presença de sintomas como cansaço excessivo ou dificuldade para respirar.

Sinais de alerta em bebês

Cianose, que é a coloração azulada nos lábios, língua, dedos ou unhas, merece atenção imediata. Dificuldade para mamar, cansaço excessivo durante as mamadas com sudorese intensa, e ganho de peso insuficiente são sinais importantes.

Palidez persistente, falta de ar em repouso, e batimentos cardíacos muito rápidos ou muito lentos também indicam necessidade de avaliação especializada.

Sinais de alerta em crianças maiores

Cansaço desproporcional ao brincar ou durante atividades físicas, incapacidade de acompanhar outras crianças da mesma idade em brincadeiras, e dores no peito recorrentes merecem investigação.

Desmaios ou tonturas frequentes, palpitações ou sensação de batimentos irregulares, e falta de ar durante ou após exercícios são alertas que não devem ser ignorados.

Cardiopatias congênitas: o que você precisa saber

As cardiopatias congênitas são alterações na estrutura ou função do coração presentes desde o nascimento. Cerca de 30 mil crianças nascem anualmente no Brasil com alguma dessas condições.

Entre as mais comuns estão a comunicação interventricular, um orifício entre os ventrículos do coração, e a comunicação interatrial, abertura entre os átrios. A persistência do canal arterial, que deveria fechar após o nascimento, e a tetralogia de Fallot, combinação de quatro defeitos cardíacos, também são frequentes.

Algumas dessas condições são detectadas ainda no pré-natal através do ecocardiograma fetal. Outras são identificadas após o nascimento através do teste do coraçãozinho, exame obrigatório nas maternidades brasileiras.

Doenças cardíacas adquiridas na infância

Além das cardiopatias congênitas, crianças podem desenvolver doenças cardíacas ao longo da vida. A febre reumática, consequência de infecções bacterianas mal tratadas, pode afetar o coração e causar lesões nas válvulas cardíacas.

A miocardite é a inflamação do músculo cardíaco, geralmente causada por vírus. A doença de Kawasaki, condição inflamatória que afeta vasos sanguíneos, pode comprometer as artérias coronárias.

Arritmias cardíacas, hipertensão arterial em crianças e alterações nas válvulas também podem surgir durante a infância e adolescência.

A importância da avaliação preventiva

Mesmo sem sintomas evidentes, algumas crianças devem passar por avaliações cardiológicas regulares. O check-up cardíaco identifica condições silenciosas e permite acompanhamento adequado do coração infantil.

Consultas preventivas são especialmente recomendadas para crianças com histórico familiar de doenças cardíacas, síndromes genéticas, prematuridade ou prática esportiva intensa. Esse cuidado evita surpresas no futuro e proporciona mais segurança para o crescimento da criança.

Crianças que praticam esportes

Atividade física é fundamental para o desenvolvimento saudável, mas crianças que praticam esportes intensos ou de competição devem passar por avaliação cardiológica antes de iniciar treinos rigorosos.

O cardiopediatra realiza exames que verificam se o coração está preparado para o esforço físico intenso, prevenindo eventos cardiovasculares durante a prática esportiva. Esta avaliação pode salvar vidas, identificando condições que predispõem a arritmias graves durante exercícios.

Exames realizados pelo cardiopediatra

O eletrocardiograma avalia a atividade elétrica do coração e detecta arritmias. O ecocardiograma é um ultrassom do coração que permite visualizar estruturas, válvulas e avaliar o funcionamento cardíaco em tempo real.

O teste ergométrico avalia o coração durante esforço físico. O Holter monitora os batimentos cardíacos por 24 horas, detectando arritmias que não aparecem em repouso. A monitorização ambulatorial da pressão arterial verifica se há hipertensão.

Em casos específicos, podem ser necessários exames mais complexos como ressonância magnética cardíaca ou cateterismo.

Tratamentos disponíveis

Muitas cardiopatias congênitas requerem cirurgia cardíaca nos primeiros meses ou anos de vida. Procedimentos por cateterismo permitem correções sem necessidade de cirurgia aberta em casos selecionados.

Medicamentos controlam arritmias, melhoram a função cardíaca ou reduzem a pressão arterial conforme necessário. Acompanhamento regular permite ajustar tratamentos e monitorar a evolução da criança.

Prevenção começa na infância

Hábitos saudáveis na infância previnem doenças cardiovasculares na vida adulta. Incentive alimentação equilibrada rica em frutas, vegetais e proteínas magras. Limite o consumo de sal, açúcar e alimentos ultraprocessados.

Estimule a prática regular de atividade física adequada à idade da criança. Evite sedentarismo excessivo e tempo prolongado em telas. Mantenha o peso saudável através de alimentação balanceada e exercícios.

Não exponha crianças ao fumo passivo, pois aumenta significativamente o risco de problemas cardiovasculares. Garanta sono adequado e de qualidade, essencial para a saúde do coração.

O papel da família

O ambiente familiar influencia diretamente a saúde cardiovascular das crianças. Crianças reproduzem o que veem em casa, por isso os pais devem dar o exemplo com hábitos saudáveis.

Refeições em família com alimentos nutritivos, prática de atividades físicas juntos e controle do estresse familiar criam um ambiente propício para a saúde do coração.

Quando não adiar a consulta

Se o pediatra detectou sopro cardíaco no seu filho durante consulta de rotina, não adie a avaliação com cardiopediatra. Embora a maioria dos sopros seja inocente, apenas o especialista pode confirmar.

Histórico familiar de morte súbita antes dos 50 anos, doenças cardíacas em parentes próximos ou síndromes genéticas na família são indicações para avaliação cardiológica preventiva.

Tranquilidade para os pais

Consultar um cardiopediatra não significa necessariamente que há algo errado. Muitas vezes, a avaliação serve justamente para tranquilizar os pais e confirmar que o coração da criança está perfeitamente saudável.

O diagnóstico precoce, quando necessário, permite tratamento adequado e melhores resultados. Crianças tratadas precocemente têm excelente qualidade de vida e desenvolvimento normal.

Cuidar do coração desde cedo

A saúde cardiovascular começa na infância. Investir em prevenção, avaliações regulares e tratamento adequado quando necessário garante que seu filho cresça com saúde e segurança.

Não espere sintomas graves aparecerem. A consulta com cardiopediatra é um ato de amor e cuidado que pode fazer toda a diferença na vida do seu filho.


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