Hipertensão arterial: números que fazem toda a diferença

A hipertensão arterial sistêmica (HAS), popularmente conhecida como pressão alta, é definida como a elevação persistente da pressão do sangue nas artérias acima dos valores considerados normais: 120 mmHg de pressão sistólica e 80 mmHg de pressão diastólica. Quando esses valores ficam consistentemente acima de 140/90 mmHg, o diagnóstico de hipertensão é estabelecido.

No Brasil, a hipertensão afeta mais de 36 milhões de adultos — cerca de 24% da população adulta — e é responsável por 50% dos casos de infarto do miocárdio, 40% dos casos de AVC e 25% dos casos de insuficiência renal terminal. Apesar desses números alarmantes, estima-se que metade dos hipertensos nem sabe que tem a doença.

Por que a hipertensão é chamada de inimigo silencioso?

A hipertensão raramente causa sintomas nas fases iniciais. A maioria das pessoas convive com a pressão alta por anos sem sentir nada — até que ocorre um evento grave, como um infarto ou um AVC. Por isso, a única maneira de identificar a hipertensão é medir a pressão arterial regularmente.

Sintomas como dor de cabeça na nuca, tontura e zumbido nos ouvidos são frequentemente associados à pressão alta, mas esses sinais são inespecíficos e podem ter outras causas. A única forma confiável de diagnóstico é a aferição da pressão arterial.

Fatores de risco para hipertensão

Alguns fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver hipertensão:

• Histórico familiar: a predisposição genética é um fator importante.

• Sedentarismo: a falta de atividade física está fortemente associada à elevação da pressão.

• Alimentação rica em sódio: o sal em excesso causa retenção de líquidos e eleva a pressão.

• Obesidade: o excesso de peso sobrecarrega o coração e os vasos sanguíneos.

• Tabagismo e consumo de álcool: ambos têm efeito vasopressor direto.

• Estresse crônico: o estado de tensão prolongada ativa mecanismos hormonais que elevam a pressão.

Tratamento: medicamentos e estilo de vida

O tratamento da hipertensão combina mudanças no estilo de vida com medicação quando necessária. As medidas não farmacológicas incluem: redução do sal na dieta (menos de 5g por dia), atividade física regular (pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada), manutenção do peso saudável, abandono do tabagismo e moderação no consumo de álcool.

Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar a pressão, o cardiologista pode prescrever medicamentos anti-hipertensivos. Há diversas classes disponíveis, e a escolha do medicamento mais adequado é individualizada, levando em conta o perfil de cada paciente.

MAPA de 24 horas: o exame que vai além da consulta

A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) de 24 horas é um exame disponível na Cardio Master que registra automaticamente a pressão arterial durante o dia e a noite, enquanto o paciente realiza suas atividades normais. Ele é superior à medição isolada no consultório, pois permite identificar a hipertensão do avental branco, a hipertensão mascarada e avaliar o comportamento da pressão durante o sono — fatores com grande implicação prognóstica.