O que é o colesterol e qual é o seu papel no organismo?
O colesterol é uma substância lipídica (gordurosa) essencial ao funcionamento do nosso organismo. Ele participa da formação das membranas celulares, da síntese de hormônios esteroides (como o estrogênio e a testosterona), da produção da vitamina D e da bile — necessária para a digestão das gorduras.
O problema não é a existência do colesterol, mas o seu excesso — especialmente de frações específicas. O colesterol é transportado no sangue por proteínas chamadas lipoproteínas, sendo as mais conhecidas o LDL (lipoproteína de baixa densidade, o ‘colesterol ruim’) e o HDL (lipoproteína de alta densidade, o ‘colesterol bom’).
LDL, HDL e triglicerídeos: entenda cada um
• LDL (colesterol ruim): quando elevado, o LDL se deposita nas paredes das artérias, formando placas de aterosclerose que reduzem o calibre dos vasos e aumentam o risco de infarto e AVC. O valor ideal de LDL varia conforme o risco cardiovascular individual, mas em geral deve ficar abaixo de 130 mg/dL — e abaixo de 70 mg/dL para pacientes de alto risco.
• HDL (colesterol bom): o HDL tem efeito protetor, pois transporta o colesterol das artérias de volta ao fígado para ser eliminado. Valores de HDL acima de 60 mg/dL são considerados protetores.
• Triglicerídeos: são outro tipo de gordura circulante, cujo excesso também está associado ao risco cardiovascular, especialmente quando combinado com HDL baixo e LDL elevado.
A dislipidemia não dói — mas mata
A dislipidemia (alteração nos níveis de gorduras no sangue) é assintomática na grande maioria dos casos. As placas de aterosclerose se formam silenciosamente ao longo de anos, até que ocorre uma obstrução crítica que desencadeia um infarto ou AVC — muitas vezes sem aviso prévio.
Por isso, a realização periódica do perfil lipídico (exame de sangue que mede LDL, HDL, colesterol total e triglicerídeos) é fundamental para identificar e tratar a dislipidemia antes que ela cause danos irreversíveis.
Como tratar o colesterol alto?
O tratamento da dislipidemia envolve mudanças no estilo de vida e, quando indicado, medicação. As principais medidas não farmacológicas são:
• Alimentação: reduzir gorduras saturadas (carnes gordurosas, manteiga, queijos amarelos, embutidos) e trans (presentes em produtos industrializados), aumentar o consumo de fibras (aveia, frutas, legumes), ômega-3 (peixes de água fria) e gorduras insaturadas (azeite, abacate, castanhas).
• Atividade física regular: o exercício aeróbico eleva o HDL e reduz triglicerídeos.
• Controle do peso: a obesidade está intimamente associada a dislipidemia.
• Abandono do tabagismo: o tabaco reduz o HDL e aumenta a oxidação do LDL, tornando-o ainda mais prejudicial.
Quando o tratamento não farmacológico não é suficiente, o cardiologista pode prescrever medicamentos como as estatinas, que são os fármacos mais amplamente estudados e utilizados para redução do LDL e do risco cardiovascular.
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