O pedido “risco cirúrgico” assusta. Paciente acha que é um carimbo de apto ou inapto. Cirurgião quer saber se o coração aguenta o estresse da anestesia, da dor e da eventual anemia. A Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2024) é clara: não se trata de um pacote único de exames para todo mundo. Trata-se de estratificar — paciente, cirurgia, capacidade de subir um lance de escada. Este artigo traduz isso para quem vai operar vesícula, hérnia, prótese ou um procedimento da cirurgia geral e chegou no Google com medo do “risco 3”.
O que o cardiologista realmente pergunta
Você consegue andar dois quarteirões ou subir um andar sem parar por dor no peito ou falta de ar? Já teve infarto, stent, cirurgia cardíaca, insuficiência, arritmia, sopro? Quais remédios (principalmente anticoagulante e antiagregante)? Diabetes, rim, pulmão? A cirurgia é de urgência, tempo-sensível ou eletiva? O BMJ Best Practice descreve o mesmo esqueleto: detectar doença cardíaca que muda o perioperatório, não colecionar laudos.
Capacidade funcional ruim é um dos recados mais honestos do corpo. Quem não alcança um limiar de esforço na vida real tem pior prognóstico perioperatório em vários índices citados pela SBC — inclusive ferramentas desenvolvidas no Brasil.
Apendicite perfurada, sangramento, isquemia de membro: o time faz o essencial e opera. A avaliação fina fica para depois. O eletivo (hérnia indolor, vesícula sem complicação grave) pode e deve ser preparado.
ECG, eco, Holter, MAPA: quando cada um entra
Teste ergométrico ou imagem de isquemia: quando a probabilidade de coronariopatia é relevante e o resultado mudaria o timing ou a revascularização. Fazer teste “para o papel” em quem mal anda por artrose de joelho pode ser inútil ou impossível — a diretriz discute exatamente esses limites.
O famoso “risco 1, 2, 3”
Classificações perioperatórias (como derivadas de ASA e índices cardíacos) tentam traduzir probabilidade de evento. Elas não são sentença moral. Risco intermediário em cirurgia de baixo estresse hemodinâmico não é o mesmo risco intermediário em cirurgia vascular arterial grande. O laudo deve comunicar ao cirurgião e ao anestesista: o que otimizar (anemia, pressão, glicemia, broncoespasmo), que remédio manter ou suspender, que monitorização sugerir. Um número solto sem plano é burocracia, não cardiologia.
| Cenário | O que costuma pesar |
|---|---|
| Jovem, anda bem, hérnia eletiva | História + exame; poucos testes |
| Idoso, diabetes, dispneia, cirurgia abdominal | ECG, eco se indicado, otimizar PA e glicemia |
| Stent recente | Timing e antiagregantes com o cardiologista |
| DPOC / tabagista, cirurgia alta | Espirometria + cardíaco |
Remédios no perioperatório: não invente
Anti-hipertensivos em geral continuam; alguns (como certos bloqueadores) têm regras no dia. Anticoagulante e antiagregante são o campo minado: trombose versus sangramento. AINEs, alguns hipoglicemiantes, análogos de GLP-1 (jejum e estômago cheio em anestesia) exigem orientação explícita. A lista escrita vence a memória.
Conclusão
Avaliação cardiológica pré-operatória não é um carimbo nem um combo de exames para impressionar o convênio. É estratificar risco com a diretriz da SBC de 2024, otimizar o que for otimizável e falar a língua do cirurgião. Na Cardio Master, consulta, eco, Holter, MAPA e espirometria podem ser o pacote — ou só a consulta, se for o que a evidência pede. O paciente leigo ganha quando entende a pergunta: “o que muda a minha cirurgia?”, não “quantos laudos eu juntei”.
Perguntas que as pessoas mais fazem
Todo mundo precisa de eco antes de operar?
Não. A diretriz da SBC enfatiza história, exame, tipo de cirurgia e capacidade funcional. Eco entra quando há sopro não esclarecido, suspeita de insuficiência cardíaca, valvopatia, ou quando o resultado mudaria a conduta. Pedir eco em todo mundo “porque o convênio paga” não é o espírito da diretriz.
Posso operar se tenho pressão alta?
Hipertensão controlada raramente cancela cirurgia eletiva. Hipertensão grave não controlada pode levar a adiar o eletivo para ajustar tratamento. O MAPA/MRPA ajuda a saber se o “16 no pré-op” é avental branco ou verdade.
Stent ou infarto recente: quanto tempo esperar?
Há janelas em que o risco de operar (e de suspender antiagregante) é alto. Só o cardiologista, com a data do evento e o tipo de stent, define. Não esconda o stent do cirurgião nem pare o AAS por conta própria.
Espirometria também entra?
Em cirurgias com risco pulmonar (tórax, abdome alto, tabagista, DPOC, asma mal controlada), a função pulmonar ajuda o time. A Cardio Master faz espirometria no mesmo serviço da avaliação cardíaca.
Fontes e referências
- Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da SBC – 2024 (ABC Cardiol)
- BMJ Best Practice — risco cardiovascular perioperatório em cirurgias não cardíacas
- Sociedade Brasileira de Cardiologia — portal
- Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2020
Avaliação pré-operatória na Cardio Master
A Cardio Master em Águas Claras — DF — realiza consulta cardiológica, eletrocardiograma, ecocardiograma e, quando a clínica pede, Holter, MAPA e espirometria — o conjunto que muitas cirurgias eletivas exigem de forma racional.
Leve o pedido da cirurgia, a lista de remédios e exames antigos. Emergência cirúrgica não espera check-up completo; eletiva, sim, merece estratificação. Conteúdo educativo, não liberação genérica pela internet.
Texto de caráter informativo, baseado em diretrizes e órgãos oficiais citados nas fontes. Conduta diagnóstica e terapêutica é sempre individual.
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